06 junho, 2008

Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora! Vou de férias!

"Mais uma vez!" dirão muitos... mas se não for o meu cérebro explode...

Finalmente Barcelona! A menina dos meus olhos... E só me vem a cabeça um poema de Manuel Bandeira que me é tão querido por inúmeras circunstâncias...

Deixo-vo-lo para que leiam em voz alta...


Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei


Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive


E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.


Manuel Bandeira in "
Bandeira a Vida Inteira"

6 comentários:

mfc disse...

Todos temos direito a elas.
Elas são-nos indispensáveis.
Um beijo e até breve.

nina rizzi disse...

e é inevitável... partir!...

Anónimo disse...

....volta logo!*

Luisa Terna caridosa

Anónimo disse...

....volta logo!*

Luisa Terna caridosa

indigo des urtigues disse...

Belo poema :)

Ana disse...

Há tanto tempo que não lia este poema que me invadiu a nostalgia... Andar por aqui tem destas coisas...encontrar-mo-nos onde menos esperamos.
Obrigada pelas boas lembranças que me trouxeste.