... Finalmente estou de volta! Já começava a sentir saudades disto!
Tenho mesmo de colocar a leitura em dia!
Podem encontrar-me agora no "Bom dia, Filipina".
***Azuis
14 Novembro, 2010
29 Abril, 2010
O fim do Meu País Azul
Aqueles de vós (poucos certamente) que me têm acompanhado ao longo destes anos sabem que este blog foi criado com um intuito.
De certa forma foi criado para ser terapêutico. Com o passar dos anos passou a ser mais do que isso. De forma que o sentido dele acabou por ser perder e deixou de fazer sentido.
Por tudo isso, decidi que termina aqui.
Claro que sabeis, que eu gosto realmente de blogs, vê-se pela quantidade e de anos que me tenho mantido por aqui. Por isso, estou certa que em pouco tempo reaparecerei por aí pela blogosfera com algo novo, diferente e que tenha mais sentido para mim.
Vou deixar este cantinho aqui, para construir algo mais sólido, e também menos monocromático.
Obrigada a todos, por este tempo em que carinhosamente me acompanharam.
Um abraço especial aos resistentes que me acompanham desde sempre, e sempre, mesmo nas fazes mais chatas. A vossa presença aqui foi-me deveras importante.
Sem grandes suadíssimos, fica um até a um destes dias.
Alma Azul
23 Abril, 2010
Devanear
Quando se vive no cimo da montanha tens muito tempo. Tens tempo para tudo e passasse o tempo a inventar o que fazer. Tornamo-nos mais criativos. Mas também mais introspectivos. O silêncio ainda é rasgado pelo latir dos cães ao longe e pelo rugir do vento a passar na folhagem. Aqui ouvir uma música ainda pode ser avassalador.
Com todo este sossego e isolados em nós mesmos, falamos pouco. Incorporamos a alma das mulheres de negro que passam debaixo dos seus lenços. Lenços que apenas demonstram os rosto sulcados pelo tempo.
Acho que com o tempo vamos adquirindo a sua postura curvada como se carregássemos o mundo aos ombros.
Pensamos de mais. E este ar frio e puro provoca-nos essa sensação de deliro tantas vezes edílico que nos leva daqui para fora para outros tempos outras paragens. Por vezes fecho os olhos e estou num porto em pleno século XVI… sinto as vozes, os cheiros os burburinho e azafama… Viajo muito também assim.
Outras vezes o mesmo ar quase nos leva a loucura quando soprado por vento norte como hoje. Parece que se incorpora em nós uma tendência para o declínio, que nos empurra para o precipício.
E hoje ao sentir esse vento nesta paisagem infinita de ravinas imaginava-me eu a desprender-me dali. E foi aí que me ocorreu um pensamento menos trágico:
Se morresse eu, ali naquele instante, o meu íntimo pensamento, o meu ultimo suspiro, a minha saudade seria entre tantos suspiros pensamentos e saudades, por ti.
...
20 Abril, 2010
"mais do que o real"
"A propósito dos quadros, não trabalhei hoje quase nada. Trabalhaste alguma coisa? A Ângela vai-me perguntar na sua voz plana e neutra de horário de trabalho. Ando agora a pintar um que, já digo. Agora quero olhar o mar enquanto não vêm da praia. Vê-lo de dentro do parapeito da janela. A casa comprámo-la a uma viúva, amiga da Ângela, Não tinha filhos, detestava ouvir o mar pela noite, era mais viúva aqui e vendeu. De noite o mar aproveita para ser medonho. Porque o medo é mais feito do possível do que real, Um condenado à forca quando sofre mais não é quando tem a corda no pescoço. Penso eu, que ainda não fui enforcado, E o escuro tem mais carga de possíveis, aliás, deixa-me filosofar um pouco enquanto olho o mar dentro da minha segurança. Aliás, tudo é sempre mais do que o real. A esperança, o amor e assim. Que esquisito o bicho homem. O que mais lhe interessa não é ter mas o que não tem, mesmo que depois de o ter, Quando o tem, senta-se logo nele como um comboio num apeadeiro para seguir logo viagem. O real é uma vigarice como uma verdade adquirida – mas acabou a conversa, porque ouço o carro de Ângela."
Vergílio Ferreira, "Na tua Face",Circulo de Leitores, pp 31
[- Continuo sem terminar nada :( ]
19 Abril, 2010
Partida
Haverá forma mais pura de demonstrar verdadeiro Amor
do que deixar que o objecto do nosso amor
parta com toda a suavidade?
do que deixar que o objecto do nosso amor
parta com toda a suavidade?
18 Abril, 2010
o silêncio dos cardos
Regresso de novo a mim ao silêncio dos cardos.
Ele é a minha casa.
(Casa é o lugar onde sempre regressamos.)
E é nele que me aninho e me aconchego. É aqui que sou eu. E aqui que sou sonho.
Há certamente flores mais belas.
Por vezes, até mesmo eu acho, por momentos, que são mais belas do que os cardos. Até eu me apaixono!
Mas é uma beleza tão efémera. É ruidosa a paixão.
Prefiro os meus cardos e o seu silêncio aconchegante de onde cada vez menos tenho vontade de sair.
Vai, eu fico com os cardos.
16 Abril, 2010
"A Tristeza dos Portugueses"
Foto: Maria de David Plakke
"Porque é que os portugueses são tristes? Porque estão perto da verdade. Quem tiver lido alguns livros, deixados por pessoas inteligentes desde o princípio da escrita, sabe que a vida é sempre triste. O homem vive muito sujeito. Está sujeito ao seu tempo, à sua condição e ao seu meio de uma maneira tal que quase nada fica para ele poder fazer como quer. Para se afirmar, como agora se diz, tão mal.
Sobre nós mandam tanto a saúde e o dinheiro que temos, o sítio onde nascemos, o sangue que herdámos, os hábitos que aprendemos, a raça, a idade que temos, o feitio, a disposição, a cara e o corpo com que nascemos, as verdades que achamos; mandam tanto em nós estas coisas que nos dão que ficamos com pouco mais do que a vontade. A vontade e um coração acordado e estúpido, que pede como se tudo pudéssemos. Um coração cego e estúpido, que não vê que não podemos quase nada.
Sobre nós mandam tanto a saúde e o dinheiro que temos, o sítio onde nascemos, o sangue que herdámos, os hábitos que aprendemos, a raça, a idade que temos, o feitio, a disposição, a cara e o corpo com que nascemos, as verdades que achamos; mandam tanto em nós estas coisas que nos dão que ficamos com pouco mais do que a vontade. A vontade e um coração acordado e estúpido, que pede como se tudo pudéssemos. Um coração cego e estúpido, que não vê que não podemos quase nada.
Aí está a razão da nossa tristeza permanente. Cada homem tem o corpo de um homem e o coração de um deus. E na diferença entre aquilo que sentimos e aquilo que acontece, entre o que pede o coração e não pode a vida, que muito cedo encontramos o hábito da tristeza. Habituamo-nos a amar sem nos sentirmos amados e a esse sentimento, cortado por surpresas curtas, passamos a chamar amor. E com verdade. No mundo das ausências, onde a tristeza vem de sabermos muito bem o que nos falta, a nós e àqueles que nos rodeiam, a bondade, que nos torna vulneráveis aos sofrimentos daqueles que nos acompanham e nos faz sofrer duas vezes mais do que se estivéssemos sozinhos, é o preço que pagamos por não sermos amargos. É graças à bondade que estamos tristes acompanhados. Há uma última doçura em sermos tristes num mundo triste. Igual a nós. "
Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República
15 Abril, 2010
13 Abril, 2010
[Dia mundial do Beijo]
Trocaria a memória de todos os beijos que me deste por um único
beijo teu. E trocaria até esse beijo pela suspeita de uma saudade tua,
de um único beijo que te dei.
Miguel Esteves Cardoso...
12 Abril, 2010
Elos
Eu sempre sou o Elo + Fraco.
Simplesmente porque sou o Elo + Forte.
Esse mesmo que não importa partir.
(É no ressurgência que reside o meu âmago.)
LC
...elos de vidas... Helder Magalhaes
O Palácio da Ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
Antero de Quental
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
Antero de Quental
Katarzina Widmanska - As nothing dares to worth
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