18 junho, 2005

Desfecho

Não tenho mais palavras,
Gastei-as a negar-te…
(só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda a parte.)

Fosse qual fosse o chão da caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente
Do teu vulto calado
E Paciente…

E lutei, como luta um solitário
Quando alguém lhe perturba a solidão.
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, a arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.

Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia…
Agora somos dois Obstinados,
Mudos e malogrados,
Que apenas vão a par na teimosia.


Miguel Torga in câmara ardente (1962)
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autor desconhecido

7 comentários:

sylpha disse...

Fala-me mas não me digas se não souberes dizer o que te custa ouvir. Não me toques se não fores capaz de me sentir. Não me peças se não souberes aceitar e dar. Não me sigas se não me puderes seguir e...não me ames se não aprenderes a amar. Ocorreram-me estas palavras ao ler este desfecho :) Beijinhos e bom fim de semana

AlmaAzul disse...

sylpha, ainda bem que ocorreram, pela sua beleza. Obrigada por as compartilhares connosco. ***azuis e bom fim-de-semana também pra ti.:)

AS disse...

Belissimo poema de Torga!... e como ele sabe exprimir realidades tantas vezes bem amargas...

Um beijo e bom fim de semana

AlmaAzul disse...

Concordo frog :)
Beijo-azul e bom fim-de-semana também pra ti :)

carmuue disse...

gosto sempre de reler o poeta trasmontano...
muito bem escolhido!!

AlmaAzul disse...

carmuue, também gosto...acho que é uam questão de sangue lol
Bem-vind@

Luna disse...

muito bom...nunca é certa a caminhada lado a lado...beijo azul