16 julho, 2012

Infância

Invade-me as narinas
o cheiro da afia do lápis de cor
da minha infância.
O cheiro da madeira moída
da sala salazarista
que tantas vezes me fez arder as mãos.
A terra molhada dos berlindes,
o pó do giz branco no granito do recreio e
o caderno de capas de tecido inglês A5
com as suas linhas vermelhas na margem,
tinham cheiros que guardo em caixinhas
para não os perder, nunca.

Não é saudade de meninice, não...
É apenas uma revolta incontida
no tempo de não-ser criança.


1 comentário:

A. LaRoque disse...

Verdade, num tempo em que ser criança era difícil.