18 janeiro, 2010

Porque tudo depende do ponto de vista

e tudo à nossa volta tem uma relatividade constante que é no fundo a sua inconstância real.
Porque o que escrevemos tem tantas interpretações que mesmo nós, que o escrevemos, podemos hoje querer dizer isto com aquilo e amanhã já, nós mesmos, lê-mos ali outra coisa totalmente diferente.
Porque um autor será tanto melhor quanto mais se revirem nos seus escritos, o que escrevemos tem de ser oco de sentido e permitir o máximo de sentires.
Assim deixo-vos um dos textos que retrata isso mesmo, e sem dúvida das melhores autoras de sempre, para mim claro.



"Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais..."


Clarice Lispector

Agora leiam começando pelo fim.

4 comentários:

Smile disse...

Lindo mesmo. É isso mesmo, depende do ponto de vista de quem vê ou escute.
Beijinhos

rv disse...

pois eu acho q depende sempre da maturidade do leitor, no entanto o exercício proposto é mt engraçado, faz me recordar os tempos em q entre amigos escrevíamos uma frase a partir da última feita por alguém sem termos acesso à totalidade do texto escrito pelo mesmo; no final dão sempre textos fantásticos e engraçados.

rv disse...

ou seja o sentido do texto depende da maturidade com que se lê o texto

LR disse...

texto lindíssimo o de clarice lispector. ela era brilhante mesmo. e este poema é muito verdadeiro, lido de cima para baixo, ou de baixo para cima! (obrigada pela sugestão de o ler ao contrário, o que nunca tinha feito)