15 novembro, 2009

do "sítio mais afastado do bulício do mundo" *


Cheguei e finalmente consegui abri-lo depois da morte dela.

Já o tinha mudado de estante, de divisão, de cidade… Mas nunca mais consegui arranjar coragem para o abrir de novo.

Hoje, talvez por estar vencida pela exaustão, entrei n quarto, onde tem sido o seu reduto nos últimos tempos, e quase sem o premeditar, tirou-o da estante e abri-o.

Vi que na primeira página tinha escrito 24-1-68 Albino Gonçalves. Sabia-o mas realmente nunca mais tinha pensado nisso. Nunca mais tinha pensado que este livro também já fora dele. E foi dela. Era dela quando eu o li e reli e reli.

De repente ainda sou sugada para aquela rua onde ele me dava rebuçados daqueles muito pequenos enrolados em papel e chocolates redondos e rectangulares embrulhados em pratas azuis e vermelhas com carros estampados.

Mas sou invadida pela saudade enorme de estar naquela sala, cheia de livros com cheiro a biblioteca, a lareira, e a amêndoas de pascoa, a mesma onde vi o seu corpo pela última vez.

…Tenho o livro em cima da mesa-de-cabeceira entro os que vou lendo… Pode ser que em outro dia de chuva como hoje ganhe coragem para o reler… Ou tenha tempo para vos contar da minha adoração por Emily Brontë.


Chove lá fora. Vou dormir.


* P. 7 O Monte dos Vendavais de Emily Brontë - Portugália Editora

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