11 maio, 2009

e .


Imagem: "ponto de vista" de Adhil Rangel, 2005

São tantos os anos.
Tantos os tempos.
Os compassos.
(Seis? Ou séculos?)
Já devia saber de cor
O bater da batuta
Na palma da mão.
O vem e vai de certezas
E o racional sempre levando a melhor.
Desculpa-me mas não me fiz pelas minhas mãos
Foi a puta da vida que me construiu
Assim!
Eu tento tornear-me de cinzel e espátula
O melhor que fui aprendendo.
Mas devo muito a essa tal de perfeição
De versos e poemas declamados
Manhãs inteiras a fio depois de noites cansadas
De risos, gemidas, suspiros e tragos de licor…
Daqui em diante
Calo-me! Calada pelo menos faço menos
Estragos nas pontes, nos rios,
Nas caras nos dentes, nas mentes
E no entretanto.


AlmaAzul

3 comentários:

nina rizzi disse...

eu que não gosto de construções. amo-a. ah, sim, mas é poesia, hm...

e eu, tão palavró-ria, me calei. mas vou pagar. tou pagando... cada um dos dentes e rios e entre-tantos-mentes...

Emanoella disse...

Gostaria de ter esse poder de calar-me a tempo... antes dos estragos... mas falo demais. E sempre!

AlmaAzul disse...

Emanoella, é uma honra ter-te aqui! :)
E no fundo é melhor mesmo dizer logo tudo. Todos sabemos que sim mesmo que isos tenha consequências.
Beijos :)