26 abril, 2009

Obrigada, nina.

A nina foi a minha salvação ao me permitir recuperar uns quantos poemas que tinha perdido no mundo virtual. Por isso, decidi postar hoje aqui o seu preferido. Obrigada. Eu te compenso! :-P


Barco velho da proa alta

Barco velho da proa alta
Que sempre partes,
E nunca abarcas em bom porto,
Levas contigo a ilusão…
O Quinto Império!
E nada trazes de boa-nova.
Em ti depositamos como restolho
Os nossos sonhos de poetas…
As lágrimas amargas e doces
De um povo, bravo e baço,
Envolto na lenda do nevoeiro
E de um rei que jamais chega
Na mais ansiada madrugada!

Barco velho da proa alta
Que nasceste jangada vã
E te fortes transformado imensamente
Em canoa, caravela, navio
E que já não passas de imaginário…
No limite da razão porque choramos
Quando revivemos tudo o que fomos
E analisamos o que não seremos jamais…
O Império de Sofia e de Pessoa,
De Camões e das gentes do canto luso…
Dos poetas e dos amores eternos,
De D. Pedro e D. Inês…
No verdadeiro teatro, palco da vida!

Barco velho da proa alta
Que partiste das terras Mouras
Em outros tempos apagados
E foste em direcção a sul,
De Ceuta à Serra Leoa,
Das Tormentas a Nova Guiné,
De Goa a Timor do Sol Nascente,
Da China à Califórnia …
Da Madeira a Vera Cruz!
E glória com desgraça
Apenas trouxestes no teu colo
Misturada com escorbuto e negra peste!
Barco velho não és nada que não sinta!

Barco velho da proa alta
Contigo partiu o nosso sonho
E também contigo naufragou
Em cada batalha imortal,
Em cada conquista desesperada,
Em cada tez de pele morena,
Em outro qualquer porto,
Em outro qualquer mar
Deste mundo que dizias ter!

Barco velho da proa alta
Parte do meu imaginário
Para sempre naufragares!

AlmaAzul