12 janeiro, 2006

Apenas um corpo

Foto: "Pods", Karin Rosenthal

Respira. Um corpo horizontal
Tangível, respira.
Um corpo nu, divino,
Respira, ondula, infatigável.

Amorosamente toco o que resta dos deuses.
As mãos seguem a inclinação
Do peito e tremem,
Pesadas de desejo.

Um rio interior aguarda.
Aguarda um relâmpago,
Um raio de sol,
Outro corpo.

Se encosto o ouvido a sua nudez,
Uma música sobe,
Ergue-se do sangue,
Prolonga outra música.

Um novo corpo nasce,
Nasce dessa música que não cessa,
Desse bosque rumoroso de luz,
Debaixo do meu corpo desvelado.

Eugénio de Andrade

2 comentários:

AS disse...

Eugínio de Andrade! Palavras para quê? Ele continua presente entre nós através da sua poesia...

****Azuis

Anónimo disse...

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