As telas estão há meses encostadas á espera de um rasgo de inspiração que as termine. E conto já umas quantas intermináveis. Será que não há por aí alguém que saiba o segredo da inspiração?
As telas estão há meses encostadas á espera de um rasgo de inspiração que as termine. E conto já umas quantas intermináveis. Será que não há por aí alguém que saiba o segredo da inspiração?
Após o visionamento do filme " Má Educação" do Almodôvar só me ocorre mesmo:
1 - Bravo!
2 - Este homem é fantástico (par não dizer brutal e me repetir muito lol )
3- Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe! (relativo ao conteúdo)
Hoje gostava de poder ir buscar-te.
Onde quer que tu estejas.
Queria ir buscar-te… encontrar-te com um sorriso-de-me-ver….
Queria segurar-te na mão onde não estivessem as rosas.
Queria levar-te a ver o mar junto ao desfiladeiro que-tem-no-nome-cães.
Queria sentir-te ali perto. Sentir a tua respiração mesmo sem palavras.
Queria sentir que era ali, comigo o único sitio onde te apeteceria estar.
Mas bem sei entre os meus maiores defeitos estão o perguntar-de-mais, o querer-de-mais, o sonhar-de-mais, o imaginar-de-mais…
Sim, e o confundir tudo-e-todos. Já estive até para reclamar na origem mas eles também confundem tudo!
Por vezes o mar ainda é azul...
É, por vezes ainda é azul,
junto a mim,
junto a ti...
E nessas vezes alongadas
de desalento e desassossego
o mar ainda é azul
junto a nós:
E nasce um poema
de braços e pernas abertas
como convêm que seja
para pessoas de almas fechadas.
L.C.
Cheguei e finalmente consegui abri-lo depois da morte dela.
Já o tinha mudado de estante, de divisão, de cidade… Mas nunca mais consegui arranjar coragem para o abrir de novo.
Hoje, talvez por estar vencida pela exaustão, entrei n quarto, onde tem sido o seu reduto nos últimos tempos, e quase sem o premeditar, tirou-o da estante e abri-o.
Vi que na primeira página tinha escrito 24-1-68 Albino Gonçalves. Sabia-o mas realmente nunca mais tinha pensado nisso. Nunca mais tinha pensado que este livro também já fora dele. E foi dela. Era dela quando eu o li e reli e reli.
De repente ainda sou sugada para aquela rua onde ele me dava rebuçados daqueles muito pequenos enrolados em papel e chocolates redondos e rectangulares embrulhados em pratas azuis e vermelhas com carros estampados.
Mas sou invadida pela saudade enorme de estar naquela sala, cheia de livros com cheiro a biblioteca, a lareira, e a amêndoas de pascoa, a mesma onde vi o seu corpo pela última vez.
…Tenho o livro em cima da mesa-de-cabeceira entro os que vou lendo… Pode ser que em outro dia de chuva como hoje ganhe coragem para o reler… Ou tenha tempo para vos contar da minha adoração por Emily Brontë.
Chove lá fora. Vou dormir.
* P. 7 O Monte dos Vendavais de Emily Brontë - Portugália Editora