"De duas ou mais dores simultâneas, a nossa atenção escolhe uma e quase esquece as outras. Na ruína do nosso tempo, vê se escolhes o mais importante dela. Evitarás assim o ridículo de chorar a perda de um alfinete numa casa que te ardeu. E a História olhar-te-á com simpatia - talvez vá mesmo para a cama contigo."
23 março, 2010
Liana Timm
Sempre não me perdi pelo espaço... E encontrei algo pelo caminho:
- Liana Timm!
Deixo um pouco por aqui:
O QUE EU QUERO
o que eu quero?
uma vida onde o embaraço silencie
o disfarce
onde a confissão discuta
as trevas
não quero a afinação das mágoas
quero sim questões
que desalinhem
Liana Timm
- Liana Timm!
Deixo um pouco por aqui:
O QUE EU QUERO
o que eu quero?
uma vida onde o embaraço silencie
o disfarce
onde a confissão discuta
as trevas
não quero a afinação das mágoas
quero sim questões
que desalinhem
Liana Timm
QUE PORTA BATE ?
o ar que respiro
é daqui
sai do chão
das paredes movediças
tombadas pelo tempo
à margem das ausências
nenhuma porta bate
Liana Timm
LIMITES
sei
entendo
tudo foi mais além do que querias
questões pessoais
o coração
fantasias
o olhar
a voz fingindo que irias
mas não
toda encenação tem seus limites
no fim do dia desistes
fostes mais além do que podias
sei
entendo
tudo foi mais além do que querias
questões pessoais
o coração
fantasias
o olhar
a voz fingindo que irias
mas não
toda encenação tem seus limites
no fim do dia desistes
fostes mais além do que podias
Liana Timm
19 março, 2010
Ir
Porque hoje é sexta…
Porque sextas são dias de partida.
Vou… e depois, talvez volte ou talvez me perca pelo tempo…
18 março, 2010
urgência
Saudade - Acrílico sobre Tela - Alma Azul (2003)
Aqui junto ao cabelo, e junto ao peito.
Há em mim a urgência das tuas mãos.
- Onde estão as tuas mãos que não as sinto?
É urgente da tua voz junto ao meu ouvido.
- Se soubesses como é colorida a tua voz dentro de mim.
É urgente o teu olhar, esse mesmo que não confronto
[e me desarma].
- Onde estás? És-me urgente.
LC
17 março, 2010
[convite]
O que tenho para te dar é muito pouco, já...
Tenho só os melhores anos que me restam.
Se vires que te servem, apropria-te deles.
Mas fá-lo com algum carinho, são tudo o que tenho.
LC
A incerteza da certeza (ou mais pó de estrelas)
...
Brama em mim um silêncio furtivo.
Está prestes a rebentar em mim
sobre a forma de minúsculas gotículas
de luz que se assemelham ao pó
das estrelas…
Urra um mar… prostrado ante a lua.
- Quem as recolherá
assim tão soltas?
[pequenas gostas de orvalho
lembrando chuvas passadas]
- Serás tu?
[ cabe-me a mim
mais esta árdua tarefa?]
LC.
Brama em mim um silêncio furtivo.
Está prestes a rebentar em mim
sobre a forma de minúsculas gotículas
de luz que se assemelham ao pó
das estrelas…
Urra um mar… prostrado ante a lua.
- Quem as recolherá
assim tão soltas?
[pequenas gostas de orvalho
lembrando chuvas passadas]
- Serás tu?
[ cabe-me a mim
mais esta árdua tarefa?]
LC.
15 março, 2010
Mais uma carta para Ana
...
Ana,
Faz muito tempo que não te escrevo. De certa forma acostumei-me a ideia generalizada que tudo tinha sido dito. Mas no fundo, prefiro pensar que derramei as palavras no rio Sabor, aquele dia. A ideia é-me mais leve.
Por isso escrevo-te, mas não tenho nada para te dizer de novo. E também sei que não vens aqui ler-me, pelo que depreendo do que falamos, por isso também não faria sentido dizer-te nada.
Da mesma forma não faz sentido escrever-te aqui o motivo que me leva a escrever-te. Mas sabes, ainda continuo a ter muita dificuldade em sossegar o cérebro.
[Agora recordei-me de algo para fazer, talvez vá pintar o resto do puzzles do prato que foi a única coisa que trouxe comigo. É, ele ainda continua branco aqui do meu lado esquerdo igualmente verde… e branco. }
Mas, mesmo sem sentido ( e eu que faço tanta coisa sem sentido), hoje escrevo-te para te pedir algo que tu não podes fazer, mas pedir não custa e como nada espero, não importa para coisa nenhuma esse pormenor.
Queria pedir-te para que escrevesses a todas as pessoas que me conheceram depois de ti, e lhes explicasses como era simples, como tudo em mim era concreto e linear, como eu era o que estava ali assim aberta, como olhava as pessoas nos olhos e falava naturalmente sem pensar muito nisso, como era inocente fazendo jus ao nome e quase saltitante e terna como as gotas e orvalho nos dias em que amanhecíamos junto ao rio… Explica-lhes, também, como chamava as pessoas pelos nomes, e isso era natural. Explica-lhes também como as mãos eram abertas e os silêncios profundos e serenos… como conseguia trazer o mar para casa e fazer daquele T0 um mundo de cores e formas onde todos se perdiam… Explica-lhes tudo, se ainda te lembrares. Eu confesso que já tenho alguma dificuldade em recordar-me. Passou tanto tempo. As memórias também morrem, sabes?
Pensando melhor, deixas estar eu vou desenterrar a minha caixa negra, que estou farta deste azul sombrio dos dias que levo. Eu mesmo lhes escrevo. Apesar de continuar a achar que devias escrever mais, escreves tão bem…
Um beijo.
14 março, 2010
13 março, 2010
12 março, 2010
10 março, 2010
"Devias estar aqui"
...
Pormenor de mais um quadro inacabado...
"Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um (...)"
Eugénio de Andrade
D(o)i(s)a.
..
Há dias perfeitos... e dias que se encaminham para o estúpido das coisas sem sentido. Onde aqui e além, se nota um sorriso. Mas tudo passa, tudo... E eu também tenho desses dias assim, sem jeito.
Dias em que apesar do sol que me entra pela janela, só penso que me ofusca a vista e não me deixa trabalhar. Dias electivos. Dias questionáveis. Dias rápidos e cheios de afazeres. E eu gosto tanto de ter tempo.
Mas, mesmo neste dias eu espero que uma ou outra hora das seguintes, possa ser capaz de me encaixar de novo no meu carril.
No fundo creio, que é por meio de um safanão, num dia destes sem jeito, que tal qual pessoa que tropeça na pedra da calçada, vou tropeçar em ti.
09 março, 2010
CHAMO-TE
Imagem: Andrea Kopie
Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.Há muitas coisas que não quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a TerraEm Primavera feroz precipitado.
Sophia de Mello Breyner Andresen, In Dia do Mar
Segunda carta (breve) para um possível amor

Hoje escrevo-te para te dizer que entre o muito próximo e o distante não sei onde te coloque.
Por vezes fico confusa. Nem sempre tenho certeza de ver bem.
Temo todas as confusões que eu faço. (Faço tantas!)
Por vezes, sei que vivo num mundo paralelo ao dos outros. Os outros são a maioria. Não sei se tu estás lá ou cá, se estás aqui ou lá.
Há vezes em que estás aqui bem junto, posso sentir -te o calor. Por outras vezes… não sei o que pensar. Talvez estejas algures em um lugar onde eu não encontrei a chave para entrar.
- Podes ajudar-me a encontrar?
Um bom desafio pode-me prender… Mas não me incomoda perder-me nos meus próprios labirintos.
Um beijo, breve...
08 março, 2010
Mulheres
Toda a minha vida foi marca por grandes mulheres. E continua a ser todos os dias. E é a essas grandes mulheres que eu quero prestar a minha homenagem hoje.
E é com elas que quero caminhar daqui para a frente.
- Obrigada por tudo o que fazeis a cada dia, por sois, sem dúvida, o motor de mudança para um mundo melhor.
Primeira carta para um possível Amor
Escrevo-te para te dizer que venhas com calma, que a vida é-me suficientemente longa para que possa esperar-te.
Demora todo o tempo que precisares a percorreres a distância entre nós. Perde-te por todos os becos e todas as vezes que te fizerem faltam. Mas por favor não chegues até mim com dúvidas ou incertezas, porque elas não me fazem falta para coisas alguma.
A vida tem-me dado disso em demasia e já não devo ter muito mais capacidade para resistir-lhes. A membrana pode rebentar a qualquer momento e nem tu me valerias.
Por isso demora-te e vem quando te sentires preparada.
Eu espero. Vou com calma reconstruindo a minha guerreira para que dome este cavalo que teimosamente tende em correr em velocidade de cruzeiro. Este cavalo que teima em ir, em te procurar.
Vem, não penses que algum dia possa ser tarde. Hoje não é tarde muito menos amanhã.
E mesmo que a doença me vença o corpo a alma estará sempre livre. E prometo-te ter força suficiente para fazer aparecer o arco-íris entre a minha e a tu mão, e mesmo para que escalando o meu corpo possas ver as estrelas todas. E mesmo que penses que as tuas asas estão cansadas eu partilho contigo as minhas… porque se usares uma e eu outra de mãos dadas deve funcionar igualmente.
Leva o tempo que quiseres a percorrer-te mas por favor atende ao meu pedido.
Imangem: Carta, Rui Miguel Pimentel
05 março, 2010
Caixa Negra
... Faz cerca de 3 anos que eu parti o ecrã do meu computador.Partiu e nunca o mandei arranjar. Foi uma forma drástica que consegui encontrar para adormecer uma parte de mim.
Muitas vezes, fazem-me falta ou sinto a necessidade rever algumas coisas que só estão lá dentro. Está lá tanto, mas tanto de mim e tantos de mim que adormeci…
Mas a verdade é que nunca consegui encontrar a coragem necessária para o rever, para o reviver.
Penso nisso todos os dias.
O Computador continua numa caixa preta, no meu quarto e todos os dias me obrigo a olha-lo e apensar se já estou preparada para me reencontrar comigo mesma.
Mas não dessa forma desfasada como antes em que o Mim e Eu não cabiam no mesmo espaço e tudo extravasada além mim numa intensidade de cruzeiro imparável, em que vivi, vivi, vivi…no limite e sobrevivi no fio da navalha.
Levei anos vivendo em urgência.
No entanto, agora levo já anos vivendo numa imensa tranquilidade.
Outro dia falava com amiga que me dizia para o arranjar. Ofereceu-se até para me ajudar nesse processo.
E eu encostei-me de certa forma à parede. Sei que está chegando a hora de me reencontrar.
Já decidi que é este ano que tenho de ir buscar ao baú a minha pequena guerreira. Esta tranquilidade toda também não me basta, só o equilibro me satisfará.
No entanto, alguns contratempos têm colocado em dúvida esta minha decisão.
Não tenho pressa, contudo…
Vamos ver como corre esta reorganização. Como me voltarei eu a dar comigo?
- É complicado organizar tanta gente aqui dentro de mim. Por vezes, tenho de colocar alguns dentro de caixas pretas.
Muitas vezes, fazem-me falta ou sinto a necessidade rever algumas coisas que só estão lá dentro. Está lá tanto, mas tanto de mim e tantos de mim que adormeci…
Mas a verdade é que nunca consegui encontrar a coragem necessária para o rever, para o reviver.
Penso nisso todos os dias.
O Computador continua numa caixa preta, no meu quarto e todos os dias me obrigo a olha-lo e apensar se já estou preparada para me reencontrar comigo mesma.
Mas não dessa forma desfasada como antes em que o Mim e Eu não cabiam no mesmo espaço e tudo extravasada além mim numa intensidade de cruzeiro imparável, em que vivi, vivi, vivi…no limite e sobrevivi no fio da navalha.
Levei anos vivendo em urgência.
No entanto, agora levo já anos vivendo numa imensa tranquilidade.
Outro dia falava com amiga que me dizia para o arranjar. Ofereceu-se até para me ajudar nesse processo.
E eu encostei-me de certa forma à parede. Sei que está chegando a hora de me reencontrar.
Já decidi que é este ano que tenho de ir buscar ao baú a minha pequena guerreira. Esta tranquilidade toda também não me basta, só o equilibro me satisfará.
No entanto, alguns contratempos têm colocado em dúvida esta minha decisão.
Não tenho pressa, contudo…
Vamos ver como corre esta reorganização. Como me voltarei eu a dar comigo?
- É complicado organizar tanta gente aqui dentro de mim. Por vezes, tenho de colocar alguns dentro de caixas pretas.
02 março, 2010
o voo
Sabes, no fim, é como se fossemos um pássaro que tem de dar o seu primeiro voo.
Se há quem veja nisso um grande momento, o pássaro está tão apavorado que não lhe é permitido tirar qualquer gozo ou prazer dele.
No entanto, é esse momento que lhe permite ver o que nunca imaginou ser possível ver.
E mesmo que nos primeiros golpes de assas sinta o receio e o medo em relação ao mundo que o espera e é imenso, isso com o tempo vai-se esbatendo.
E chegará o tempo em que voar lhe será tão natural que se esquecerá sequer do pavor de abrir as asas e voltear em direcção ao chão. Em que subirá bem alto no Azul e verá tudo do alto.
E no fim, no fim… é como se fossemos um pássaro que tem de dar o seu primeiro voo.
01 março, 2010
Lya Luft: a minha boa descoberta de hoje
"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem."
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