27 maio, 2009

[desabafo de férias...]

"Todas as decisões relativas a crianças, adoptadas por instituições públicas ou privadas de protecção social, por tribunais, autoridades administrativas ou órgãos legislativos, terão primacialmente em conta o interesse superior da criança."


«En todas las medidas concernientes a los niños
que tomen las instituciones públicas o privadas de bienestar social, los tribunales, las autoridadesadministrativas o los órganos legislativos, una consideración primordial a que se atenderá será elinterés superior del niño»

«Dans toutes les décisions qui concernent les enfants, qu'elles soient le fait des institutions publiques ou privées de protection sociale, des tribunaux, des autorités administratives ou des organes législatifs, l'intérêt supérieurde l'enfant doit être une considération primordiale»

«In all actions concerning children, whether undertaken by public or private social welfare institutions,courts of law, administrative authorities or legislative bodies, the best interests of the child shall bea primary consideration».


1 do Art. 3 da Convenção sobre os Direitos da
Criança, em 20 de Novembro de 1989
revista em Portugal a21 de Setembro de 1990


Acho que alguém disse mais ou menos isto:

- Um país vê-se pela forma como trata as suas crianças.
Não sei quem foi, não me recordo onde fui buscar esta ideia, que não é minha. Agradeço mesmo que se alguém souber que me avive a memória.

Mas retive-a porque acho que realmente se pode ver um país pela forma como as suas crianças são tratadas. Isso diz-nos muito acerca de um país. Do nosso país também.

Mais uma vez se sente a necessidade urgente deste país repensar as suas crianças.

Temos assistido a episódios onde o lamentável é muito pouco para os classificar. Temos assistido, muitas vezes, em directo a uma agressividade extrema contra menores proporcionada pelo nosso sistema legal que não me ocorre mais nenhum objectivo senão aterrorizante. Onde ficou
primordial interesse da criança?

No meu trabalho muitas vezes perguntam-me alguns pais: Você não tem filhos?

Pois esta é a pergunta que me ocorre também ao pensar nos intervenientes legais que proporcionam estes episódios.
O mesmo me ocorre em relação aos intervenientes nos meios de comunicação social. Será que não há nesses meandros ninguém que tenha filhos? Filhos dos outros, que sejam!

Tenho-me afastado da intervenção com crianças não por não ter filhos, mas por não ter um sistema no qual consiga trabalhar, com o qual não concordo, não me identifico…

Tenho sentido muita pressão para enveredar por esse caminho. Mas não o farei enquanto não forem revistas as leis. Todos os técnicos se queixam mas as alterações demoram tempo de mais para urgência destas crianças.

Bem sei que a direito não pode ser prefeito… Mas tem de ser adaptativo e urgente. Não podemos continuar a assistir à mediatização de casos tão delicados! São crianças, são pessoas não é nenhuma série de T.V. .

Mas sim, pelo menos serviram para nos mostrar o revés da medalha. Para vermos a forma como as coisas estão a funcionar mal. Mas já basta!

Há erros irremediáveis. Depois de identificados urge a necessidade de os eliminar.
Não se pode continuar a repeti-los ao ritmo de um sistema legal disfuncional. Assim não precisamos de convenções!

Vinte anos depois andamos nisto! Há vinte anos era eu uma criança...


maritudes VIII

Chegaste como quem
não quer nada...
Aportaste no meu peito.
Foste colibri Azul.
E ali ficaste.

[E eu que nem sabia
que os colibris
vinham do
mar.]

AlmaAzul


Imagem :mariposa colibri de Miguel AFonso em Olhaeres.com

26 maio, 2009

[na memória subliminar ]


Não somos muitos. Nem sabemos ao certo o porquê das coisas. Não nos questionamos muito em relação a isso. Sabemos que é assim e aceitamo-lo com uma serenidade tão tranquila como um velho roble secular.

Não sabemos o porquê de sermos tão velhos. Sabemos apenas que vimos de um lugar tão antigo como o mundo. Que crescemos junto ao lago e que não somos muitos.

Cada vez que voltamos, voltamos a entregar-nos com a mesma calma de sempre. Somos diferentes, o que por vezes é mau, por vezes não o é…

Mas aceitamo-lo tão novos, a este caminho, que na força de criança que sabe que tem tudo pela sua frente, nos parece tão fácil, tão leve…

Recordo ainda com um sorriso esse último dia. A tranquilidade. Fazia 8 anos dentro de dois dias. E com toda a convicção da alma, não vacilei um só segundo, perante a tempestade de vento que me tentava derrubar a todo custo, e aceitei-o! Aceitei-o convictamente e deixei que o vento me incorporasse, voei alguns metros até repousar lentamente no solo de areia. Nunca mais gostei de areia… A areia nasceu muitos anos depois, nunca me identifiquei com esse sedimento da Terra com o passar dos anos.

Hoje, (às vezes penso como hoje), penso até quando o aceitarei. Não é fácil. Uma vez destas gostava de saber como é viver simplesmente. Viver na incerteza dos dias, sem conjecturas, sem peso, sem asas, num lugar menos Azul, menos imenso, menos seguro…

Mas vivo muito bem assim entre os nossos braços Todos, a nossa presença sempre certa nos baixios, as nossas coisas…

A certeza de nunca estar só. A ligação que nos faz sermos. Não saberia viver-me sem ela, se o penso.

E como me fez bem a tua presença na minha tempestade de vento hoje junto ao mar tão ausente, Fogo Preambular! Tenho crescido tanto na força da tua presença. Crescemos todos, tanto…

Abraço-Imenso.

...
Imagem: AlmaAzul

25 maio, 2009

Quem sabe quem sou?

Quando você sabe o que sou, não sou. Quando você não sabe o que sou, eu sou. Quem sou?


Pista: Era algo que eu adorava. Depois vi o filme "La Vita è Bella" de Reberto Benigni, e edentifiquei-me com um personagem muito bem caracterizado e criticado por ter o mesmo gosto mas mais exagerado. Senti-me também de alguma forma criticada... E quase me deixei delas. Uma vez ou outra alguém se lembra disso e lá me atormenta com uma.

criar raizes


...
Qualquer dia destes precipito-me na Terra
e torno-me na beleza de uma flôr-Azul.

L.C.

Imagen: Flôr Azul!!! de António Pedro Rodrigues Vaz

22 maio, 2009

“Seremar”


...

"Ao repousar a minha cara no meio do teu peito, arfante de um calor molhado, no mesmo momento em que ganho de novo lucidez, penso que estar no paraíso não poderá distar muito dali."

LC



Imagem: Blue, de Sara Sa

21 maio, 2009

Apocalíptico

Dez anos. Em dez anos vivi intensamente. Vivi no limite. Um dia, acerca de dois anos, falava com o Carlos como tantas outras vezes no chat. O Carlos é um cavalheiro de cerca de cinquenta anos, destes que já não existem. É um prazer falar com ele. E nesse dia, ele que raramente pergunta, perguntou-me porque eu tinha um tom tão pesado no que dizia. Estranhei. Nunca falamos de nós, além disso, falávamos de tudo. Tom pesado?! Quando o inquiri sobre o que o levava a pensar assim, respondeu-me que não sabia nada de mim, mas se tivesse de contar a minha história seria a de uma mulher, viúva, com dois filhos, com cerca de 60 anos para quem a vida não tinha sido leve.
Debaixo dos meus 25 anos de então, senti-me aterrorizada! Demorei a digerir e quando lhe respondi já foi no meio de uma gargalhada. Disse-lhe que tinha vinte e cinco. Não houve muito mais conversa sobre isso. Estou certa que não acreditou. Um dia sei que chegou a perguntar a alguém a minha idade. Desde então falamos muito menos. Não acho que o Carlos, logo ele, se tenha afastado pela diferença de idades. Não pelo que o conheço não será esse o problema. Ele, tão perspicaz não deve conseguir lidar com a sua ideia tão distante. Será inevitável falar comigo sem se recordar disso. E isso sim será algo que o incomoda.
Às vezes falamos… Mas gostaria de falar com ele como dantes. Como quando tinha 60 anos e dois filhos e um marido morto e falávamos de tudo menos de nós.
Mas também eu não sou capaz. O Carlos, mesmo sem o saber foi um marco na minha vida. Desde esse dia até há bem pouco tempo, parei. Parei de viver assim tão intensamente.
Através do Carlos, cheguei a conclusão que tinha vivido a um ritmo alucinante e que em dez curtos anos tinha experienciado tanta coisa que muitas e muitas pessoas nunca viveriam em toda uma vida longa. Foi tudo rápido de mais. Precisava parar e absorver o que tinha vivido.
Precisava pensar. Precisava parar de viver para aprender com o que tinha vivido. Naqueles dez anos pouco tempo para olhar para dentro. O “fora” atravessava-se vertiginosamente à minha frente e eu corria vertiginosamente atrás de tudo.
Parei. Decidi voltar as origens. Voltei. E durante dois longos anos vivi lentamente. Fechei-me no meu eu. Vivi comigo. Uma ou outra vez um amigo perguntava-me por mim. Outro dizia que não me reconhecia. Uma e outra vez me tentaram acordar do meu estado ora narcísico ora autista. E nada. Este meu viver tornou-se inabalável. Perdi algumas pessoas, certamente, que não se reviam em mim. Talvez tenha mesmo sido o ponto fraco de uma relação anterior. Mas estava bem assim. Acha que estava bem assim. Comecei a a habituar-me a viver mansamente. Passava leve na vida e esta era-me leve. Interagia quando me apetecia e o restante tempo ficava adormecida no meu silêncio. Perdida no tempo. E sem que me desse conta dos meus sessenta anos passei a identificar-me com os 80. Passei os serões a jogar cartas. Os dias a arrastar-me entre uma e outra obrigação. Devo ter magoado muita gente. Devo ter conseguido a calma da 3ª idade. Não tardaria tão serena que estava pronta para morrer.
Mas, de repente, muito de repente para o meu sossego, arrancaste-me do meu sonho e precipitaste comigo num sonho vertiginoso. Onde de novo sou Eu. Eu-de-antes. Eu-feliz. E nem sequer sei como chegaste até ao fundo de mim, ou meu eu mais profundo que ainda sinto o eco de ti a puxar-me para mim.
E onde terás vindo tu?
- Certamente de algum País Azul.

19 maio, 2009

J'Adore tien Blog


...

A Orquídea, do “Nascidos do Mar” ofereceu-me este selo.

Dos melhores, esteticamente, que já vi.

- Obrigada, Orquídea.


As regras são:
1 – Colocá-lo no seu blog
2 – Indicar 10 blogues que adore (esta é a regra que eu aldrabo sempre!)
3 – Informar aos blogs indicados que receberam o selo ( está vem por acréscimo)
4 – Dizer 5 coisas que adorem na vossa vida

Os 10:
Dez que se voluntariem para me ajudar a preenchermos esta lista s.f.f. que eu não tenho jeito para isto. E claro, sintam-se informados.


5 coisas que "adoro":
* A mim
* Os meus Amigos
* O Mar (o meu mar)
* A cor Azul
* O Silêncio

Já tinha saudades de a ouvir!

18 maio, 2009

Mario Benedetti:

...
El infinito

De un tiempo a esta parte
el infinito
se ha encogido
peligrosamente.

Quién iba a suponer
que segundo a segundo
cada migaja
de su pan sin límites
iba así a despeñarse
como canto rodado
en el abismo.

Mario Benedetti - (Paso de los Toros, 14 de Setembro de 1920- Montecidéu, 17 Maio de 2009)


"Ele sempre disse que se sentia mais poeta que outra coisa"
- Hortensia Campanella, autor de "Mario Benedetti. Un mito discretísimo".