10 maio, 2009

no ombro

...

Que saudade de ti Eugénio. Se ao menos eu soubesse que tu sabes o número de vezes que eu hoje olhei o meu ombro direito à procura da tua mão esquerda cansada dos livros.


Que saudades das dunas de Fão, dos cardos e da tua voz lenta e dos teus passos descompassados ao ritmo das ondas do mar...


Que saudade dos cães a atravessarem-se no teu caminho e a soltarem versos leves.


Que saudade do teu sorriso, quando fazia perguntas que não me respondias.


Se ao menos soubesse que tu sabes que eu continuo a fazer perguntas... e continuo sem ter muitas respostas.

Se ao menos tivesse eu o teu sorriso brando e leve.

Se ao menos eu pudesse repousar silenciosamente ao teu lado manso…

Indeterminadamente... sorrirmos.




O sorriso

Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

Eugénio de Andrade

... à chegada...


Imagem: Saber a(mar),Pedro Moreira

É estranho chegar onde
somos saudade,
e não querer chegar.
É estranha esta sede
de mar,
de amar.


AlmaAzul

09 maio, 2009

Maritudes VII



Foto: MARIAH, Da sede farei um barco

Podia ser a maresia
a onda ou a gaivota
que passa...
Mas não, sou muito mais que isso...
Só espero que tenhas
o tempo suficiente
para me sentir.



AlmaAzul

08 maio, 2009

Introspecção


...


Chega assim de repente.
Chega igual.
E todo o meu árduo equilíbrio se desmorona.
(Oh! Como é árduo consegui-lo!)
Não sou ansiosa...
São estas borboletas malucas
do estômago que me atordoam!



07 maio, 2009

humm...



...Não sei o quê, ao certo, mas algo me anda a tirar o meu pouco sono...
Vou partir de novo... Talvez tente descobrir.
Viajar é o meu momento de maior auto-reflexão. Chega a ser terapêutico.
Eu, o carro, a música, a paisagem e um destino é quase um equilíbrio perfeito.


BOM DIA DE TRABALHO! :-#



06 maio, 2009

who wants to dance?

...

Repouso da Guerreira


Repouso de novo em ti Faro
Do meu fado.
Os canais da tua ria
são mais uma vez os braços
que me acolhem.
O teu mar sereno de Hoje
acalma-me a alma revolta.
A palidez das tuas ruas apaga-me
apaga-me todos os intrusos da mente.
Em ti cidade-mãe sou mais pura..
Sou mais Eu.
por ti sempre me encontro
a mim.
Recupero a luz de novas Guerras:
- tenho sono, deixai-me aconchegar.

AlmaAzul
05/05/2009
Praia de Faro

05 maio, 2009

como o lume das bruxas

...em 5:30h Portugal de lés a lés não está mal :)
Mas para a próxima faço um desvio para um rapto! :-X

04 maio, 2009

Férias


...

Mais umas horas e finalmente (com muita pena de alguns) vou poder exercer o meu direito a férias!

Por isso, se virem por aí uma louca desvairada aos saltos, não se assustem. É apenas uma alma solta!

Claro está que vou poder por a minha pescaria em dia! Sim, que qualquer dia desaprendo!




03 maio, 2009

ferro de aportar*

“(…)Descemos ambos as escadas do restaurante da ribeira e caminhamos junto ao leito do rio . Paramos junto a um desses ferros colocados nas margens para amarrar os barcos.
Paramos olhando o rio e Gaia serena da outra margem. Eu e tu e o meu silêncio e o teu silêncio.
Talvez tivesse passado muito tempo até interrompesses o silêncio, não me recordo… Normalmente passava…

- Hoje pensei em trazer-te aqui para ver se este lugar te diz algo, pequeno lírio azul.

E quando me preparava para falar, fizeste aquele teu sinal tão característico para eu continuar pensando…
Pensei, pensei mas aquele lugar dizia-me o mesmo desde que paramos junto ao ferro de aportar.
Ganhei coragem para interromper o silêncio quando começamos a caminhar.

- Sabes, Eugénio, este lugar faz-me ver dividida. Às vezes vejo-me assim. Sabes, se tivesse de dize-lo em palavras, diria que um dia hei-de conseguir ser uma rocha dura, segura, imóvel e inabalável e imponente. Serei certamente uma rocha granítica. Pronto pode ser desse granito mais cinza-azulado. E que o outro eu será um veleiro, de velas brancas e velozes, andarei sempre a viajar, irrequieta com o vento a meu lado. É, um dia hei-de ser veleiro e ser rocha.

- Sabia que o concluirias isso.

- Ser veleiro e ser rocha é mau?

- Não, lírio. Não é nem bom nem mau. Cada um de nós tem uma essência em si. E temos de viver com ela.

- Vai ser difícil?

- A vida é difícil.

-Hum… é, mas um dia vou ser isso: veleiro e rocha.

-Vês estes ferros aqui? Isso é o que precisas para conseguir ser veleiro e rocha.

- Como eu consigo isso?

- Mareando, lírio. Mareando. Em algum locar haverá um esperando por ti. Tens de o encontrar. Estão sempre junto à água, mas estão sempre em terra. Podes ser rocha e veleiro. Mas tens de te encontrar.

- Uma flor pode marear?

- Já estas crescidas de mais para seres uma flor.

- Como se chama este ferro.

- Vamos chamar-lhe ferro de aportar?

- Sim. Ferro de aportar soa-me bem. Um dia, irei encontar um... (...)"


*AlmaAzul em Memórias de uma flor.

30 abril, 2009