...Está visto que das duas uma ou está tudo de férias ou este calor adormece toda a gente...
Salve meia dúzia que não têm “parança”.
Ainda ontem uma senhora me dizia:
- Desculpe-me dizer-lhe isto mas tem bichos no rabo!
Bem me deu vontade de rir, olhando para a senhora, com idade para ser minha mãe, a olhar-me como se os meus movimentos lhe provocassem náuseas.
Mas, como não poderia perder a minha reputação de "importantona" (lol) lá tive de a ignorar...
Salvador Dali - Invisible Sleeping Woman, Horse, Lion. 1930.
Oleo sobre tela. Colecção privada.
tocas as flores murchas que alguém te ofereceu quando o rio parou de correr e a noite foi tão luminosa quanto a mota que falhou a curva - e o serviço postal não funcionou no dia seguinte
procuras ávido aquilo que o mar não devorou e passas a língua na cola dos selos lambidos por assassinos - e a tua mão segurando a faca cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado dos amantes ocasionais - nada a fazer
irás sozinho vida dentro os braços estendidos como se entrasses na água o corpo num arco de pedra tenso simulando a casa onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia ...
...Há dias em que algo nos pesa de mais. Em que um sufoco fica retido na garganta e nos prende a voz. Em que há a urgência de um grito, de um suspiro... Onde há a necessidade de um abraço. Em que nada faz sentido. Em que não temos razões para estar assim. Mas estamos! Bastou um silêncio ou uma palavra. Uma noite mal dormida sobre um monte de questões. Uma prioridade. Uma sequência. Um sentido. Há dias em que uma vontade enorme de mudar definitivamente de vida nos ocupa. Dias em que é urgente ter coragem para viver. Onde é urgente pegar o touro pelos cornos. Onde até a queda se torna urgente, no cimo da corda bamba, interminavelmente bamba. Há dias em que nos cansamos dos cardos e da beira-mar. Dias em que olhamos para o lado e nos cansamos de sermos sós. Há dias sem que é urgente encontrar quem caminhe silenciosamente, lado a lado.
Há, definitivamente uma coisa que eu odeio na cultura do povo português!
Essa tendência absurda para tentarem enganar o sistema!
Arre! É que mesmo levando pela medida grande não há meio de aprenderem.
Ok, Ok, Ok…
Também tenho cá a minha costelita e é verdade que às vezes também o faço.
Se tens a cerrrteza que te faço falta ao almoço e ao jantar e ao pequeno-almoço.
Se tens a cerrrteza que faço falta quando te deitas e quando te levantas e a meio da noite quando te viras e eu não estou.
Se tens a cerrrteza que quando te sentas no na esplanada junto ao mar, ou na varanda de tua casa, ou no carro, ou na sala de cinema, ou no sofá em frente à televisão, ou na areia rente ao mar, ou no avião, ou na relva molhada, junta à aquela árvore, no selim da bicicleta, na mota, no chão frio… Se tens a cerrrteza, quando te sentas, de que fazei falta por perto.
Se tens a cerrrteza que me vais querer levar em cada viagem que fizeres.
Se tens a cerrrteza de que no tempo livre que não podes passar comigo irás sentir a minha falta.
Se tens a cerrrteza de que queres ver as minhas primeiras rugas a aparecer-me no rosto.
Se tens a cerrrteza de que gostas de ver as nossas mãos entrelaçadas, de senti-las.
Se tens a cerrrteza que os meus silêncios e o meu mau humor são superáveis, tal como são superáveis eu andar descalça por casa, e bater contra tudo, e perder constantemente alguma coisa e escrever com erros no blog.
Se tens a cerrrteza que vais sorrir todos os dias que eu estiver perto.
Se tens a cerrrteza que cada vez que nos entregamos vai ficar sempre a vontade de mais entrega.
Se tens a cerrrteza de querer continuar a fazer arte com o meu cabelo.
Se tens todas estas cerrrtezas e a certeza que tens muitas mais cerrrtezas.
Realmente não entendo porque ainda não me pediste para namorar contigo!
Há demasiados demais nos nossos dias Para que o meu amor seja demais. Pela sua infinidade Ou pela sua pureza Nunca será excessivo. Excessivo seria morrer. E eu, só quero viver
Páro junto ao teu leito. Não sei ao certo quanto tempo demorei até chegar aqui.trinta e dois anos talvez… Ocorre-me a ideia de que nunca estivemos tão perto, tão juntas como hoje. Foi um longo caminho. Um difícil caminho. Mas viste tanto azul com eu vi. E o mar! O mar sempre soube trazer a paz nossa de cada dia. De certa forma poderei dizer que fomos felizes. E sei que se te dissesse isto em outra altura iríamos ter conversa para algum tempo. Mas agora não. Estás ai repousada. Parada de mais. Acho que nunca te imaginei assim. Vou lá para fora. Preciso de algum movimento de pássaro. - Onde é a janela, Srª Drªª?